Diários

    Uma vez na escola, o professor pediu para apresentarmos, em classe, objetos que tivessem valor sentimental para nós e explicássemos o porquê. Desse modo, bonecos, pelúcias, pinturas, roupinhas de bebê, paninhos e fotografias fizeram parte da aula e era possível ver as histórias que as pessoas carregaram a vida toda em cada pertence.

    Bem antes da aula, eu pensava em levar uma pelúcia. Ela fazia parte da minha infância, mas não tinha exatamente algo que eu visse que não fosse apenas a lembrança de uma etapa da vida que já passou.

...

Lembrança...

Esse pensamento acendeu uma lâmpada sobre a minha cabeça.

    Decidi, então, levar alguns dos meus diários em que escrevo minha vida, os fatos e as emoções. Mas principalmente, minhas memórias. 

    Na aula, o professor chamou meu nome e me levantei. Na frente da turma, ponderei por onde começar e disse: "Antes, queria contar como decidi a escolha do objeto."

    Naquele momento alguns olharam interessados, pois não era esse o ponto da atividade. Continuei:

    "Eu sempre morei na mesma casa. Logo, a maior parte dos objetos da minha infância ainda estão guardados. Então pensei o seguinte: e se a minha casa pegasse fogo? Há algum objeto que eu salvaria dentre todas as pelúcias, bonecas, fotos e brinquedos?

    Sem pensar muito, entraria e salvaria meus diários. Apesar de serem apenas palavras escritas em folhas, seu conteúdo é mais precioso que qualquer objeto. Pois são as minhas memórias. 

    Na nossa vida, passam inúmeras pessoas, inúmeros acontecimentos. Em cada um deles, nos expressamos, sentimos, deixamos e levamos uma marca. Enquanto vivemos, de pouco em pouco nossa memória nos prega peças, e os fatos se confundem com os sentimentos. Podemos ter conversado com alguém e nos sentido bem, mas não nos lembramos do que falamos. Por isso, anoto tudo de importante para que eu possa voltar e relembrar. Não apenas os momentos que nos sentimos mal, mas também os bons. Além disso, cada versão minha está estampada nesses cadernos, e sempre que eu estiver insegura de quem eu sou, posso reler e me entender um pouco mais. 

    Por essa razão, eu escolhi os meus diários. Do que adianta eu ter um objeto se não me lembrar da sua história?"

E foi assim, caros leitores, que todo mundo da sala soube que eu escrevo em diários como se tivesse 10 anos. 

(Mesmo assim, houve aplausos!)


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Ass: Valentina Gagliardo Ferreira💕

Comentários

  1. A parte de "reler e me entender um pouco mais", é importante para seu crescimento, filha! Obrigado pela reflexão.

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