A sabedoria de Anne Frank

 "Para ser franca, não consigo imaginar como alguém poderia dizer 'eu sou fraco' e continuar assim. Se você sabe isso ao seu respeito, por que não luta contra, por que não desenvolve o caráter? A resposta deles sempre foi: 'Porque é muito mais fácil não fazer isso!' Essa resposta me deixa desestimulada. Fácil? Quer dizer que também é fácil uma vida de mentiras e preguiça? Ah, não, não pode ser verdade. Não pode ser verdade que as pessoas se sintam tentadas pela facilidade... e pelo dinheiro. Pensei muito em qual deveria ser minha resposta, em como poderia fazer Peter acreditar em si mesmo e, acima de tudo, mudar para melhor. Não sei se estou na trilha certa."

    Esse é um trecho da carta de Quinta feira, dia 6 de julho de 1944, escrita por Anne Frank.

    Estou lendo seu diário e me impressiona o quanto suas opiniões são fortes e muito bem formadas. Nesse momento, ela estava com recém 15 anos, tendo mudado muito desde o começo do livro. Ela amadureceu e soube reconhecer seus defeitos, desenvolvendo todo o seu potencial.
    Também acho maravilhoso como seu sonho de ser escritora e estar na mente das pessoas até depois de sua morte se realizou; mesmo que não exatamente da maneira que queria. Ela escreveu seu diário como uma ajuda, Kitty, para quem mandava cartas e cartas contando todos os detalhes de sua vida no Anexo Secreto, em sua mente e em seu coração. Esse diário, virou um documento histórico, mostrando a vida que ela passava, só por causa de sua religião. A Segunda Guerra Mundial afetou diversos grupos na Alemanha e em outros países naquela época e, com sorte, Anne conseguiu um esconderijo para se proteger do caos que era o mundo.
    Mas... não que o mundo criado dentro do Anexo não fosse um caos também: brigas, discussões, mentiras, repreensões e fome também era cenário dentro da Família Frank, junto com a família van Pels e o Sr. Pfeffer. A vida dentro de casa era muito agitada e todos os dias acontecia algo diferente para Anne poder relatar ao seu diário. Mesmo assim, dentro de todo o caos em que ela vivia, existiam pensamentos, opiniões, tanto caos quanto paz reinavam dentro de sua cabeça.

    Ela se questionava sobre temas delicados, que qualquer adolescente se questiona hoje em dia, com mais naturalidade e confiança, do que naquela época. Geralmente, os jovens acabavam descobrindo o mundo por conta própria, pois os adultos não tinham a consciência de ajudá-los a descobrirem juntos. Anne também passou por isso. E o que eu acho mais incrível é que ela tratava as coisas tão habilmente que parecia saber de tudo sempre. 

    Ela agora é minha meta. Meu exemplo de superação de mundo e de mente. Quero ser tão boa quanto ela foi um dia. Também quero que todos ainda se lembrem dela e de seus relatos e opiniões daqui uns mil anos. Ela nos mostrou uma guerra tanto psicologicamente quanto literalmente. Uma delas ela venceu e a outra... Nós temos que vencer por ela; pois agora sabemos o quanto Anne e os judeus (e diversos outros grupos também) sofreram com um regime que pode começar em qualquer lugar e em qualquer situação se não nos conscientizamos e aprendemos um pouco de história. 

    " Qualquer pessoa que afirme que os mais velhos passam por maiores dificuldades no Anexo não percebe que o problema tem um impacto muito maior sobre nós [jovens]. Somos muito jovens para enfrentar esse problemas, mas eles vivem nos afligindo até que, finalmente, somos forçados a imaginar uma solução, embora na maior parte das vezes nossas soluções desmoronem diante dos fatos. Numa época assim fica tudo difícil; ideais, sonhos e esperanças crescem em nós, e depois são esmagados pela dura realidade. É incrível que eu não tenha abandonado todos os meus ideais, já que parecem tão absurdos e pouco práticos. Mas me agarro a eles porque ainda acredito, a despeito de tudo, que no fundo as pessoas são boas. " (Sábado, 15 de julho de 1944).

    Obrigada, Anne Frank, por compartilhar sua sabedoria conosco!

Ass: Valentina Gagliardo Ferreira💕

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