O Vagão do Trem
O Vagão do Trem
Têm situações nas nossas vidas que nos levam a acreditar que tudo esteja saindo dos trilhos. Nem sempre é assim, é claro. Nem tudo pode sair dos trilhos. O trem por exemplo. É difícil ele sair, com suas rodas de ferro feitas especialmente para as barras que os sustentam. Mas alguns pertences podem cair das janelas e das portas de vagões que não fecharam muito bem.
Esses vagões são difíceis de fechar. Sua tranca tem certa ferrugem que não nos permite tocar sem nossos dedos mancharem e ficarem com um odor estranho. E nunca é um odor bom. Para lavá-los, temos que esfregar bem com água e sabão, mas o vagão do qual falamos não tem nem um, nem outro. Assim, temos que nos esforçar a aguentar aquele cheiro, aquele incômodo nas mãos e apenas tentar, a todo custo, suando ou morrendo de frio, fechar aquele maldito vagão.
Dentro do vagão, o conteúdo é pertinente. E diferente para cada um de nós. Talvez sejam mágoas, raiva, rancor, barulho, vergonha, tristeza ou dor. Geralmente a tranca desse vagão é assim por esses sentimentos. Eles corroem. Eles fazem o ferro, que é um elemento forte, oxidar. E mesmo jogando fora todos esses sentimentos, o vagão não é preenchido de novo. E ele fica ali, vazio...
E aquelas janelas que estão abertas? Por que deixamos cair coisas delas, se podemos apenas fechar? Pois essas janelas não são controladas por nós. Essas janelas são usadas por outros, não você, nem eu, nem seus amigos ou inimigos. São controladas por alguém chamada VIDA. A Vida chega em nosso assento e pensa Puxa, está frio e sem se importar com o seu calor, fecha a janela. Felizmente, pensamos que está tudo bem, certo? Temos o ar-condicionado. Só que não. Nem dele você tem o controle.
Assim, a viagem inteira você tem calor.
Assim, você não consegue limpar as mãos do ferro enferrujado.
E você no fim, tem duas opções:
Aguentar.
Ou controlar.
Ass: Valentina Gagliardo Ferreira

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