Bobi
Bobi Marley Ferreira (Matusalém)
Olá, leitores.
Vou contar uma história hoje.
Lembro-me do dia que o Bobi chegou em nossas vidas. Nosso quintal era separado por um muro que dividia o terreno. Um dia, meus pais derrubaram o muro, e do outro lado vivia o Bobi. Um cachorro vira-lata de pelagem marrom e patinhas mais claras. Ele era cuidado pelo meu avô, que morava na casa do outro lado da rua.
O Bobi era o cachorro mais rápido do mundo. Corria como doido o quintal inteiro, e nem a minha eu de 8 anos conseguia acompanhá-lo. Por muito tempo, quando lhe dávamos a "comidinha" ele ficava pulando perto dos nossos pés, fazendo acrobacias e farejando o ar com ansiedade. E ele nunca comia sem antes ter recebido carinho na cabeça. Era muito educado.
Temos janelas que dão para o quintal e ele conseguia pular e colocar as patas ali. Por vezes, o chamava para fazer carinho dali de cima. No quintal, havia uma porta e uma cerca feita de troncos, que separava a frente da casa com a de trás. Eu ensinei o Bobi, a abri-la usando a patinha. Lembro que me senti muito orgulhosa dele ter aprendido tão rápido.
O Bobi nunca gostou muito de bolas. Agora, de pano sim, ele chegava a tirar toalhas mais baixas do varal com a boca e ficar em cima delas até a minha mãe pôr ele pra correr. Ele sempre foi muito inteligente.
Mas como todo ser vivo, ele foi envelhecendo. Diziam que ele tinha a mesma idade que a minha, 15 anos. Mas obviamente tinha mais. Sua coluna começou a enfraquecer e era difícil levantar-se sozinho. Este mês de dezembro, percebemos que a qualidade de vida dele estava decaíndo. Então fomos nos despedindo, conversando com ele, ajudando-o com as dores que estivesse sentindo.
O Bobi passou por algumas dificuldades antes do fim, e nossa famíla ficou junto e o cuidou.
Até hoje, madrugada do dia 31/12, meu pai estava na sala, perto da janela onde ele ficava. Ouviu dois latidos e parou.
Ele teve uma vida com carinho, amor e risadas. Com cuidados e atenção. Esse garoto sempre protegeu a nossa casa, sempre foi receptivo e nunca deixou de pedir carinho. Minha mãe, meu pai, minha irmã e eu sempre o amamos muito, e continuaremos amando, tendo-o nas lembranças e compartilhando histórias.
Esperamos que agora ele esteja melhor, correndo pelo mundo e latindo para todos. E que de vez em quando nos visite, e cuide do seu quintal, como o Rei que um dia foi.
Te amamos, Bobi. Obrigado por seu amor.
Ass: Valentina e família💕

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