Ida

Olá, leitores.

Relato de viagem de carro em família dias 18-19/12/23.

    Neste dezembro estou em viagem. Tive a ideia (e o tédio ajudou) de anotar algumas coisas, como emoções e paisagens, pensamentos e lugares. Como faz uns meses que não publico nada, humildemente, vim aqui pedir desculpas com este post, e dizer que tentarei postar com mais frequência.

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Dia 19 - 15:20
Foram agonizantes minutos aqueles que minha família passou, depois de ver a enorme massa de nuvens pesadas e escuras a nossa frente, e o pior, é que estávamos indo em direção a ela. A estrada era no Rio Grande do Sul, reta e única, de mão dupla, sem comércios e casas nas beiradas, nenhum lugar para esperar passar a tempestade que chegava. Minha mãe ficou preocupada, e isso acabou contagiando. Um temor cresceu dentro de mim e senti um medo instintivo. No meio da chuva forte e barulhenta, meu pai dirigia com cuidado, pois a água batia no vidro e quase não víamos o caminhão na frente. Demorou um pouco até acalmar, até eu também me acalmar, respirar fundo e afirmar para mim que estávamos todos bem. Acreditei e continuamos a viagem um pouco mais leves. Parecia que a tempestade tinha virado apenas um lembrete do que a mãe natureza era capaz de fazer.
Tempestade antes de entrarmos

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Dia 18 - 5:41

Mais e mais árvores. Diferentemente do Brasil, onde há morros que limitam nossa visão, para qualquer lugar que se olhe é uma terra sem fim. O horizonte não termina, e vemos campos planos com arbustos e grupos de eucaliptos crescendo aleatoriamente na Argentina. A estrada é única, e há carros vindo dos dois lados. Estamos em Corrientes, mas como até agora só vejo terra plana, não acho a cidade interessante. Continuamos viagem...

Paisagem comum durante a viagem

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Passamos por baixo de um viaduto. A paisagem parece a mesma, mas o sol brilha alto no céu azul, e o que antes era plano agora cresce em pequenos morros dos dois lados da estrada. A sensação dentro do carro silencioso me relembra cenas de filmes, quando o protagonista está começando a sua história, aquelas músicas de rock com bateria ritmada tocando ao fundo e uma nova vida pela frente. Apesar de não ser esse o caso, gosto de pensar que sim.

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Cruzamos uma ponte de armação de concreto. Tem detalhes em vermelho e pode ser mais comprida que a praia dos Ingleses. BRAZO LARGO é o nome. Embaixo, o Rio Paraná passa, extenso e cinzento, e mais ao longe podemos ver navios, esperando para atracar. Depois da ponte, à nossa direita, encontramos trilhos enferrujados, e não sei se ainda os usam. Ao longe tínhamos visto outra ponte. Passaremos por ela logo. 

Rio Paraná

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Acabo de perceber que a segunda estrada que está na ponte e se ergue antes da primeira (por onde vão os carros), é o caminho do trem. Queria ver um. Estou passando pela segunda ponte. Bartolomé Mitre, Zarate. Em pouco tempo contornaremos Buenos Aires. 

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12:30

Levanto a cabeça depois de algumas páginas. Estou lendo. Percebo que as cidades que passamos são parecidas, e ainda tem árvores e mais árvores pelo caminho. Faltam duas horas para chegarmos. Passamos por uma região que mamãe chamou de Country. São casas de campo bonitas, e em uma delas vejo uma camionete vermelha que meu avô me deu uma vez. Um brinquedo, claro. Eu o dei para meu primo de segundo grau este ano, ele chorou muito pela camionete. O céu continua claro, mas aqui tudo tem um tom embaçado. Talvez sejam as janelas do carro. 

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12:49

Lembrei de livros do John Green, em que os adolescentes, depois que se formam, pegam o carro e saem pela estrada com os amigos até algum lugar, lugar qualquer. Eu quero fazer isso. Depois de me formar, depois de aprender a dirigir, quero ir com meus amigos para algum lugar qualquer. Essa estrada me lembrou desse desejo. Quero ter essa aventura também. Também quero ter mais viagens com a minha família. Relaxar e curtir o agora. Me sentir viva.

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13:10

Y si no fuera por ti, yo no seria feliz[...]

[...]Aumentan los latidos de mi corazón...[...]

Coloquei para ouvir Juanes. Temos que entrar no clima, não é? A única vez que falei espanhol foi para uma moça do posto de gasolina, e quase travei para dizer buenos días. A estrada está toda esburacada. MEU DEUS! AS VAQUINHAS! Um caminhão estava transportando e passou por nós, e deu para ver as cabeças delas, tão peludinhas! Me mori de amor!

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13:35

Saímos agora de um posto. Ô cheiro de estrume de vaca! Elas podem ser fofinhas, mas o que sai de dentro não é nada cheiroso. Seguimos viagem.

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14:26

"Estou com fome". O pensamento me atinge antes da minha barriga roncar. Felizmente, faltam apenas minutos ao invés de horas, e eu estou feliz. Quase terminando o livro. Conseguimos chegar na estrada conhecida que leva à cidade da minha família argentina. Minha mãe, que dirige, já sabe onde ir e sinto o horário de chegada se aproximando...

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15:07

Chegamos! A partir de agora, estou observando, sentindo um frio que o verão não deveria permitir e percebendo que talvez eu não tenha casaco suficiente. A casa está logo na esquina... Adeus! Espero que tenha te entretido com esses relatos de viagem.

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    Terminei o livro Por Lugares Incríveis aquele mesmo dia. A viagem foi um chá de cadeira, mas foi boa. Estamos todos bem e iremos passar o Natal em família. Feliz Natal e Ano Novo para você que ficou até aqui! Desejo o melhor para você e todos ao seu redor. Fique atento que talvez publique mais um texto antes de 2024. 

Até mais!

Ass: Valentina Gagliardo Ferreira 💕

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