(M&C) Nine in the Afternoon
Olá, leitores.
Lançada em 2008, a música que eu trouxe hoje é uma mistura daquela felicidade que explode o peito juntamente com uma sensação boa de nostalgia, "como se estivéssemos em um estado de êxtase ou em um sonho lúcido onde tudo é possível". Panic! At The Disco apresenta a vocês... Nine In The Afternoon !
(Para escutá-la, aqui o link no spotify e o vídeo no youtube: )
Nove da tarde (Nine in the afternoon)
Chuva. Chove como nunca lá fora, e eu aqui no estúdio, tendo minha aula de dança como se fosse um dia perfeito para dançar. A verdade é que não estava sendo um dia especial, nada que eu fosse contar para meus amigos, ou transformar em assunto com meus pais, ou até para escrever em um diário. Nada especial...
Ouvi a música começar e meus pés me guiaram para as sequências de passos que a professora demonstrava. As outras bailarinas a imitavam e estavam realmente indo bem, então eu precisava tentar também, afinal, era o que tinha me feito ir até a aula; a liberdade de me desconectar do mundo enquanto os sentimentos eram expressados com fortes grands battements*.
Relaxei a perna esticada e já levantava a outra. Meus braços passavam por volta da cabeça e apontavam para outra extremidade da sala. Girei, girei e girei, então fiquei tonta. Parei e enquanto me escorava na parede para não cair, me peguei relembrando de um tempo longínquo.
Minha amiga e eu, caminhando pela rua em que tantas vezes nos encontramos, como se a cada esquina o fim daquele tempo, daquele dia, daquela esperança de sermos quem somos, fosse terminar ali. Sem saber que horas eram, talvez nove da tarde, quatro da noite? Percebendo no céu a promessa de que aquele momento jamais se perderia em nossa memória. De que podíamos tudo, fazer tudo, ser tudo! Ah, era tão bom...
O mundo parou de girar e a aula terminou com todas deitadas em colchonetes, com a luz apagada e uma música de fundo. Meus olhos automaticamente se fecharam, e a noção de ser parte daquilo, parte de um todo muito maior que eu, inundou o meu peito e o meu corpo. A minha mente se encheu dessas lembranças, onde tudo era mais fácil, mais simples, mas também cheio de emoção e de perigo. Fingi que o teto era o céu e aquelas nuvens de fim de tarde, meio alaranjadas, apareceram no meu desenho mental. De quando eu colocava uma música animada para tocar e nós dançávamos e cantávamos a plenos pulmões, como se a vida durasse muito e ao mesmo tempo, nada.
E nos sentíamos bem, era bom, era tudo tão maravilhoso, e então, quando chegava a hora de ir embora, assim como na aula de dança, a tristeza pegava, pois o destino não havia escrito ainda a hora de voltar, a hora de voltarmos para aquele momento... se é que algum dia voltaríamos a dançar e cantar como se a vida fosse infinita...
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*Grand battement: movimento de ballet que consiste em lançar a perna o mais alto que conseguir.
Ass: Valentina Gagliardo Ferreira💕

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