(M&C) Anos 80

Olá, leitores.

    Lançada em 2020, o rap, feito pelo artista cearence VMZ, traz de volta os símbolos que marcaram os anos 80 na cultura pop, de uma maneira suave e gostosa de ouvir. Agradeço à música, pois me deu inspiração para um conto sobre dois jovens apaixonados! Com vocês... Anos 80 !

(Para escutá-la, aqui o link no spotify e o vídeo no youtube:)


Anos 80

–Eu já disse para parar de me procurar!


–Não ligo. Você não vai escapar de mim, meu bem.


        Lily me abraçou por trás enquanto caminhávamos na calçada, à meia noite. Eu tentava me desvencilhar do abraço dela mas, na realidade, não fazia força para tal. Acabou me apertando mais forte e me beijando o pescoço. Beijei de leve a sua mão, então me soltou. 


        Corri pela rua e parei na esquina; na sacada de um apartamento, um rádio tocava "Every Breath You Take". Ela chegou caminhando e me virei: seu vestido vermelho esvoaçava com o vento e perguntei-me se estaria com frio. Ela começou a falar algo, nem liguei; peguei a mão dela e a girei, voltando seu corpo para perto de mim. 


       –Você dança também? Eu já fiz umas aulas com o meu pai. – Lily rodopiou segurando a minha mão, e voltou para perto. – Como éramos só nós dois, eu participava de todas as danças das sextas-feiras à noite. 


       –O que você faz comigo? Não vê que eu sou perigoso pra você?


       Ela deu um sorriso sedutor que me arrepiou por inteiro.


       –Tenho um ímã poderoso para o perigo.


      Dançamos, seus braços ao redor do meu pescoço, minhas mãos acariciando sua cintura fina, girando-a e elevando-a no ar. Ela riu, uma risada que me fazia querer ficar, apesar de saber que não era possível.


.......


     –Acelera!!


     –Eu estou fazendo isso!!


     Meu Opala corria com tudo pela rodovia, e atrás os carros de polícia tocavam a sirene chamando a atenção de todo mundo. Do meu lado, Lily não me deixava em paz, falava sobre como aquilo era divertido, e era mesmo, mas a sua segurança, caso fôssemos pegos, me preocupava.


     Vi uma saída e virei com tudo para a direita. Ela gritava e eu sorria, aproveitando o momento. Ouvi as sirenes passarem reto; tínhamos ganhado tempo. Estacionei o carro na floresta à beira da estrada e o escondi entre as plantas.


     –Eles não vão nos seguir? 


     –Se continuarmos a pé, não. –Sorri para ela– Não há nada a temer, eu estou aqui.


     Ela bateu a porta do carro e começou a rir.


     –Você estar aqui é a razão para tudo isso!  


     Sorri com o canto da boca, recebendo um soquinho no braço. Descansei meu braço ao redor dela, enquanto andávamos para a trilha na floresta. A escuridão fechava ainda mais o breu que as árvores faziam. Eu conhecia um pouco da trilha, mas temia que os policiais também. Caminhamos mais rápido e adentramos na mata. A noite nos seguia, tendo apenas nossas pupilas dilatadas para não nos chocar com as árvores, que esticavam seus galhos para nos golpear e impedir nossa passagem. 


     Depois de alguns minutos, encontramos o outro lado da floresta, que saia para uma rua de terra. Ouvimos atentamente a noite, esperando e esperando, então nos encaramos. Seus olhos azuis brilhavam, e minha mente parecia ter se teletransportado para eles, enquanto meu coração latia alto. 


      –Perdeu alguma coisa? –Ela arrumou um fio de cabelo atrás da orelha, baixando o olhar e depois voltando, parecendo tímida como nunca antes eu tinha visto.


      – Sim... perdi o ar com seus olhos de cristal.


     Me aproximei, e em um segundo estávamos nos beijando, seus lábios quentes e macios nos meus. 


     Por fim, as estrelas se alinharam...

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Ass: Valentina Gagliardo Ferreira💕

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