(M&C) Anos 80
Olá, leitores.
(Para escutá-la, aqui o link no spotify e o vídeo no youtube:)
Anos 80
–Eu já disse para parar de me procurar!
–Não ligo. Você não vai escapar de mim, meu bem.
Lily me abraçou por trás enquanto caminhávamos na calçada, à meia noite. Eu tentava me desvencilhar do abraço dela mas, na realidade, não fazia força para tal. Acabou me apertando mais forte e me beijando o pescoço. Beijei de leve a sua mão, então me soltou.
Corri pela rua e parei na esquina; na sacada de um apartamento, um rádio tocava "Every Breath You Take". Ela chegou caminhando e me virei: seu vestido vermelho esvoaçava com o vento e perguntei-me se estaria com frio. Ela começou a falar algo, nem liguei; peguei a mão dela e a girei, voltando seu corpo para perto de mim.
–Você dança também? Eu já fiz umas aulas com o meu pai. – Lily rodopiou segurando a minha mão, e voltou para perto. – Como éramos só nós dois, eu participava de todas as danças das sextas-feiras à noite.
–O que você faz comigo? Não vê que eu sou perigoso pra você?
Ela deu um sorriso sedutor que me arrepiou por inteiro.
–Tenho um ímã poderoso para o perigo.
Dançamos, seus braços ao redor do meu pescoço, minhas mãos acariciando sua cintura fina, girando-a e elevando-a no ar. Ela riu, uma risada que me fazia querer ficar, apesar de saber que não era possível.
.......
–Acelera!!
–Eu estou fazendo isso!!
Meu Opala corria com tudo pela rodovia, e atrás os carros de polícia tocavam a sirene chamando a atenção de todo mundo. Do meu lado, Lily não me deixava em paz, falava sobre como aquilo era divertido, e era mesmo, mas a sua segurança, caso fôssemos pegos, me preocupava.
Vi uma saída e virei com tudo para a direita. Ela gritava e eu sorria, aproveitando o momento. Ouvi as sirenes passarem reto; tínhamos ganhado tempo. Estacionei o carro na floresta à beira da estrada e o escondi entre as plantas.
–Eles não vão nos seguir?
–Se continuarmos a pé, não. –Sorri para ela– Não há nada a temer, eu estou aqui.
Ela bateu a porta do carro e começou a rir.
–Você estar aqui é a razão para tudo isso!
Sorri com o canto da boca, recebendo um soquinho no braço. Descansei meu braço ao redor dela, enquanto andávamos para a trilha na floresta. A escuridão fechava ainda mais o breu que as árvores faziam. Eu conhecia um pouco da trilha, mas temia que os policiais também. Caminhamos mais rápido e adentramos na mata. A noite nos seguia, tendo apenas nossas pupilas dilatadas para não nos chocar com as árvores, que esticavam seus galhos para nos golpear e impedir nossa passagem.
Depois de alguns minutos, encontramos o outro lado da floresta, que saia para uma rua de terra. Ouvimos atentamente a noite, esperando e esperando, então nos encaramos. Seus olhos azuis brilhavam, e minha mente parecia ter se teletransportado para eles, enquanto meu coração latia alto.
–Perdeu alguma coisa? –Ela arrumou um fio de cabelo atrás da orelha, baixando o olhar e depois voltando, parecendo tímida como nunca antes eu tinha visto.
– Sim... perdi o ar com seus olhos de cristal.
Me aproximei, e em um segundo estávamos nos beijando, seus lábios quentes e macios nos meus.
Por fim, as estrelas se alinharam...
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