E se esta não for a minha primeira vida?



    E se eu viver de novo? Se existir uma vida além dessa? E se esta não for a minha primeira vida? Será que esta vida teria o mesmo valor que antes? 
    São perguntas que acabamos fazendo conforme crescemos e quanto mais nos questionamos, mais precisamos de um caminho que nos guie, como um sentido de viver. Qual é o sentido da nossa existência? Por que estamos aqui? A resposta não é única, e com certeza cada pessoa precisa descobrir por conta própria.
    A verdade é que é um assunto um tanto amplo. Muitas vezes tive a sensação de que já vivi outra época, como se a minha maturidade não coincidisse com minha idade e minhas amizades frequentemente tem a mesma sensação. Aliás, parece que converso muito melhor com pessoas mais velhas do que com adolescentes da minha idade. Isso é normal? As músicas também refletem tempos mais antigos, mesmo que meu gosto musical misture as novas tendências e os velhos hits nacionais e internacionais. 
    Sabe, se esse questionamento estiver correto, muitos comportamentos poderiam ser explicados. Como as crianças prodígio (elas viveram tantas vidas antes que souberam como tirar vantagem) ou os adultos ligados no 220v (provavelmente é a primeira vida deles e querem aproveitar ao máximo). Há muita gente que experimentou de tudo e que tem facilidade em viver a vida, que sabe ser positivo, não se preocupa tanto com as coisas, aprende rápido e ensina bem. Mas há também aqueles que não viveram tanto, que recém começaram a andar sem tropeçar nos próprios defeitos, aqueles que ainda estão descobrindo quem são. Ambos precisam um do outro para aprender e conseguir se adaptar à vida, experimentando e descobrindo a maneira certa de viver. 
    Nunca vai haver uma única maneira; talvez seja por isso que não existe uma pessoa igual a você. Somos todos diferentes, sob contextos e olhares diferentes, e é isso que torna a jornada na terra tão especial. Se caso não existir uma próxima vida, você fez valer esta? O que você deixou para as almas que ficaram neste mundo?
    Sei que somos finitos. Mesmo que eu escreva um livro, esse livro pode não tocar o coração de ninguém daqui 50 anos. Pode ser que ele fique escondido em alguma estante e talvez ele seja jogado no lixo, afinal, quem usará papel em 50 anos? Outro dia, achei um site que contém registros de antepassados que você pode encontrar. Fiz minha árvore genealógica e descobri muitas pessoas e segredos dos meus sobrenomes com isso. Fiquei muito curiosa e segui a linha da família até os anos 1000. Sim! Mil. Aquela pessoa existiu e fez parte de uma grande árvore que se estendeu mil e vinte e quatro anos depois. Mas ela não é lembrada por ninguém. Seria meu antepassado alguém bondoso? Um homem meio rabugento, que ganhou uma medalha de honra ou então comprava pão na esquina todo dia? Como poderei saber? São muitas perguntas para poucas informações.
    Nunca encontrarei nada sobre ele. Nada sobre quem ele era. Ninguém antes de 1900 tem alguma lembrança para os vivos. Isso me deixa um pouco melancólica, pois daqui 1000 anos é possível que eu também seja esquecida. Todos seremos. Independente se você foi uma pessoa boa ou ruim.
    No final, acabo voltando sempre para o agora; o presente. É o único que está e que importará para quem nele viver. Ser alguém bondoso, alguém que é abrigo para outras pessoas, alguém que ama e é amado, acabam sendo os únicos sentimentos e ações que são lembrados, como é em tantas religiões que nasceram há mais de mil anos. 
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Ass: Valentina Gagliardo Ferreira💕




Comentários

  1. Boas sementes seguem germinando. O passado faz parte de nós de alguma forma, o futuro uma esperança, viver o presente é uma dádiva, que merece bem aproveitada.

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