Carta aberta

    É difícil saber em que momento esquecemos dos nossos erros. Quando eles são relembrados, dói pensar que já nos perdoamos, mas nem sempre o outro teve o mesmo sentimento. Eu sou orgulhosa, sei disso. Tenho meus defeitos. Não gosto de errar e menos ainda de perceber que errei coisas pequenas. Coisas que poderiam ser evitadas. 

    Sei muito bem o porquê estou escrevendo isso, só espero que chegue aos olhos certos. 

    Se alguma vez errei com você, me perdoe. Se te deixei magoado, me perdoe. Se te fiz chorar (meu Deus! Espero que não) me perdoe. 

    Eu perdoei a mim mesma pelos erros, o que me fez virar a página quase que imediatamente. Em frente, pois atrás de mim só vem avalanches que prefiro correr do que enfrentar. Só que alguma hora eu olho para trás. Eu olhei para trás várias vezes em busca de enfrentar a avalanche. 

    Mas eu achei poeira e traças. Corri longe o suficiente para não ser atingida. 

    Talvez você tenha sido engolido pela avalanche. Não fui capaz de ajudar naquele momento. Eu esqueci. Não falo isso de forma a retirar a minha culpa, mas forcei minha mente a esquecer para não conviver com isso.

    Mas acaba estando dentro de mim. Alguma hora sai. Alguma hora os padrões das atitudes me fez recuar e eu instintivamente me afastei. Me desculpe. 

    Gostaria de ser amiga de todos com quem me relacionei. Gostaria de ser e continuar sendo alguém presente. Não são só os outros que se afastam. Eu também me afasto. Demorei a enxergar isso. Quero poder escolher quem anda ao meu redor e eu posso ter levado isso ao pé da letra. Desculpe ser assim. 

    C'est la vie.

    Uma viagem de trem onde sobem passageiros de todos os tipos. Alguns entram no mesmo vagão, outros mudam, alguns descem na próxima parada e outros continuam até o final. Você pode ter mudado de vagão, mas continuamos no trem da vida. Sei que é possível levantar e ir até você.

    Porém, não irei. Até estar pronta, até eu mudar, até você mudar. Até vermos coisas novas e nos encontrarmos com outras pessoas e perceber que merecemos uma mudança de vagão.

    Pode nem ser o mesmo vagão. Pode ser que troquemos o trem. E tudo bem. Jamais ficarei com raiva pelo passado e muito menos guardar rancor. Eu aprendi muito, e serei sempre grata. 

Ass: Valentina Gagliardo Ferreira


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